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Entrevista: O caminho para se tornar desejo das marcas mais exclusivas do país

Em entrevista exclusiva ao the biz, Letícia Vaz, CEO, estilista e influenciadora, conta alguns dos aprendizados e momentos marcantes de sua carreira.

Aos 17 anos, Letícia Vaz iniciou sua jornada no empreendedorismo com um investimento de apenas R$ 500. Hoje, alguns anos depois, ela é o nome por trás da LV Store, um dos cases de maior sucesso do e-commerce brasileiro. Pioneira ao unir o marketing de influência à estratégia de vendas direta, ela transformou sua trajetória em uma verdadeira aula de construção de marcas, e-commerce, influência e negócios no geral.

Hoje em dia, Letícia une os papéis de CEO e influenciadora, com parcerias com marcas exclusivas como a BMW, a Logitech e a Nuvemshop, sendo um dos principais cases do país quando o assunto é marketing, branding e influência.

Para conhecer melhor a história, os desafios, aprendizados e dicas para quem quer entrar — ou crescer — no mundo dos negócios, o the bizness conversou com Letícia em uma entrevista exclusiva, que você pode conferir abaixo.

the bizness: Como foi começar um negócio com apenas 17 anos?

Letícia Vaz: Foi difícil pela maturidade emocional e senso de responsabilidade, mas, por incrível que pareça, foi mais fácil porque eu não tinha repertório para ter medo de errar grande, então eu errava pequeno e rápido.

Eu sempre fui aquela pessoa que ama executar, observar, ajustar e conforme isso ia sendo validado, eu transformava em uma estrutura para replicar. Mas, querendo ou não, tive que abrir mão de uma fase importante da minha adolescência, com 19 anos já tinha mais de 20 funcionários, responsabilidades grandes, mas não me arrependo de nada, faria tudo igual hahaha.

TB: Como foi para sair do 0 a 1?

LV: No começo, eu não pensava em escalar, eu só pensava em reduzir os riscos.

Então, tudo que eu fazia era com o mínimo investimento possível, uma margem clara e foco no cliente.

Acho que isso me fez conseguir escalar mais rápido, porque eu tomava decisões baseado na venda e no desejo do cliente e não no meu produto ou do que eu imaginava que era o correto.

TB: Qual o grande diferencial de Letícia Vaz?

LV: Acho que eu consigo transitar em diferentes momentos de negócios, esferas e públicos, consigo falar de branding, números, comportamento humano e operação, sem romantizar nenhum deles, o que aproxima quem me acompanha, ao invés de distanciar, como é comum no mundo dos negócios.

Acho que poucas pessoas, conseguem transitar entre essas camadas tendo profundidade real de conteúdo e trazer informações de maneira constante que agreguem a quem acompanha.

TB: Como você chegou a trabalhar com love brands (ex: BMW), que quase não fazem publi com influenciadores?

LV: Eu nunca me posicionei como “influenciadora”, tanto que eu abri minha marca com 17 anos e virei influenciadora no meu perfil pessoal somente há 3 anos atrás, com 25 anos.

Eu me posiciono muito mais como uma empreendedora que constrói marca, e que por consequência, tem uma comunidade de outros donos de negócios que a acompanha e, por isso divide sua rotina e cria conteúdo.

E isso é chave para trabalhar com love brands. Normalmente, love brands não compram alcance, porque elas já têm, elas compram coerência, critério e reputação.

TB: Como você separa a Letícia fundadora da sócia/diretora, da influenciadora e da embaixadora?

LV: Eu separo por intenção, métrica e responsabilidade.

  • Como fundadora, meu papel é decidir para onde vamos, com visão, posicionamento e escolhas que afetam o longo prazo.

  • Como sócia/diretora, eu decido como vamos chegar lá, então refino processos, pessoas, números, eficiência e risco.

  • Como influenciadora, meu papel é traduzir produtos e serviços complexos em narrativas que as pessoas entendam e gostem, seja leve ao mesmo tempo que educa.

  • Como embaixadora, eu empresto reputação e aí tenho um cuidado maior para entender se aquilo faz sentido a longo prazo na minha imagem. Não é tão fácil separar tudo, mas é importante, para que o emocional não afete o racional.

TB: Por que ser sócia de uma empresa de tecnologia?

LV: Eu comecei a minha marca de moda há 11 anos, programando o meu próprio e-commerce, sem saber nada de programação. Hoje não existe ter um negócio sem tecnologia.

Quem controla dados, processos e distribuição controla o jogo. Ser sócia em tecnologia me dá visão de futuro, eficiência operacional e independência estratégica.

TB: Como você equilibra criatividade (moda, branding) com disciplina operacional e números?

LV: Na minha visão, toda ideia criativa precisa responder três perguntas:

  • Isso resolve um problema real do cliente?

  • Isso sustenta margem e operação?

  • Isso fortalece a marca no longo prazo?

Durante muito tempo eu achei que conseguiria vender moda somente com o lado artístico, mas a moda é um negócio assim, como todos então meu desafio, quase que diário, é encontrar o equilíbrio entre desenvolver a peça que tá na minha cabeça com os tecidos, modelagens, tempo de costura e acabamentos em um preço saudável pra minha operação e para o meu cliente.

TB: O que diferencia marcas que crescem rápido e somem das que constroem algo duradouro?

LV: As que somem crescem, normalmente, baseadas em estímulo.

Então surfam uma onda específica, um hype, uma trend, um acontecimento ou uma pessoa.

Depois que isso passa, elas não conseguem se sustentar sem aquilo, porque normalmente não tem processo, clareza, produto bem definido e propósito de marca além do “viralizar”.

E as marcas que constroem algo duradouro, normalmente são marcas ágeis que se adaptam as mudanças de mercado, mas que encontraram o equilíbrio entre o que esperam delas e o que elas querem ser.

TB: Como você vê o futuro do seu mercado (moda/varejo) e do empreendedorismo no geral, especialmente com o avanço da IA?

LV: IA vai ajudar a eliminar algumas barreiras e objeções importantes para o varejo, tanto com indicações de produto, como com provadores inteligentes, e principalmente análise e cruzamento de dados.

Então como hoje, basicamente todo mundo pode sair do mesmo lugar com as facilitações da IA, as marcas vão ter que se diferenciar pela construção de narrativa e experiências próprias e personalizadas.

TB: Qual a sua melhor dica para a pequena empreendedora que sonha trilhar um caminho parecido com o seu?

LV: Pare de perguntar “o que dá certo” e comece a perguntar “o que eu consigo sustentar por anos?”.

Muita gente vive correndo atrás da trend do momento, de instalar tal ferramenta, ter esse unboxing, gravar mil vídeos por dia, abrir franquias…

Só que quando a vontade inicial de fazer passa, ele acaba se sentindo perdido. Então o ideal é você ter um critério claro do que faz sentido na sua rotina, no seu negócio, na sua estratégia e se manter fiel a isso.

Para conferir o LinkedIn da Letícia, clique aqui.