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Por que janeiro vale por 2, por Digo Lemos
Na coluna de hoje, Digo Lemos, escritor do the jobs, fala da importância do timing — e do mês de janeiro — para a carreira e para o mundo dos negócios.
![]() Imagem: Reprodução/Acervo Pessoal | Rodrigo (Digo) Lemos é o escritor do the jobs, a maior newsletter de carreira e performance da América Latina, e uma das mais promissoras vozes no ecossistema de desenvolvimento pessoal e profissional brasileiro. Formado em Propaganda e Marketing e com Pós Graduação em Neurociência aplicada à Educação, ele é sócio e ajudou a construir a faculdade “mais inovadora do mundo”, a Link School of Business, que atingiu mais de 100 milhões de reais em faturamento em 2025. Mesmo assim, ele saiu da operação da Link para apostar na visão de construir uma empresa de educação e a maior comunidade de profissionais do mundo corporativo, que já conta com 524 membros. |
Minha curiosidade me leva a mergulhar bem fundo em temas que normalmente a gente não costuma discutir, mas eu sempre acabo descobrindo coisas novas que fazem o mergulho valer a pena.
O mergulho atual é sobre como o mês de janeiro é diferente, mesmo quando as tarefas, pessoas e reuniões continuam as mesmas. Só que um detalhe não continua o mesmo em janeiro: as percepções. Elas são resetadas, porque a gigantesca maioria das pessoas pausa no final do ano pra recalibrar essas percepções. É como se a narrativa sobre cada pessoa ficasse temporariamente "mais editável" e, com isso, aparece uma brecha que poucos enxergam: a assimetria entre esforço e retorno quando você age no timing certo.
Não é difícil de entender: existem habilidades nas quais investimos e o retorno demora pra vir, e existem habilidades que, com pouco esforço, o retorno já aparece muito mais rápido.
Minha tese nesse texto é que investir na sua comunicação em janeiro é uma das melhores apostas que você pode fazer na sua carreira, principalmente se comunicação não foi seu forte em 2025, porque isso vai gerar um belo contraste e você vai beber das percepções renovadas: "Cara, tal pessoa me surpreendeu com tal postura em tal reunião."
Não estou falando de comunicação como eloquência ou oratória. Estou falando de comunicação como mecanismo de transmissão: tornar o impacto do seu trabalho visível, reduzir ruído, manter todas as partes envolvidas e alinhadas, deixar claro o que você priorizou, questionar e discordar em vez de se calar. Quando os líderes estão reorganizando o mapa mental do time, qualquer pequeno ganho nessa transmissão produz um retorno desproporcional, porque "de repente" você aparece como alguém mais maduro, mais dono, mais confiável, mesmo que sua execução tenha mudado pouco.
É que com essa comunicação e narrativa, sua execução se torna mais evidente. Seu líder percebe mais sua mudança de dezembro pra janeiro do que de maio pra junho, falo isso com a maior tranquilidade.
Nós estamos falando de dois conceitos principais aqui: o primeiro é usar o timing a seu favor, e o segundo é entender que somos avaliados com base em sinais comprimidos e não com base na nossa realidade (funciona exatamente assim pra relacionamentos e pra empresas, por que não funcionaria pro nosso emprego?).
No fim, esse texto não é sobre janeiro... Janeiro é só o lugar onde essa assimetria aparece com mais nitidez: quando as percepções estão renovadas, pequenos ajustes na transmissão mudam muita coisa na leitura. E, depois de enxergar isso, é difícil desver, porque você passa a notar que a carreira, por muitas vezes, não muda quando você faz mais, e sim quando você faz as coisas do jeito certo e na hora certa.
Timing matters. Espero que você aproveite o seu.
Se eu puder recomendar algo, recomendo ler os últimos textos do the jobs que escrevi aqui e aqui, que fala sobre. Também estou postando bastante coisa sobre o assunto no meu perfil do Instagram.
